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O Dólar Sob Pressão: BRICS Avança com BRICS Pay e Comércio em Moedas Locais

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A Cúpula BRICS de 2026, que reuniu líderes das economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul em Nova Deli de 12 a 13 de setembro, sinalizou uma mudança pragmática na sua ambiciosa agenda de desdolarização. Longe de anunciar uma moeda comum que pudesse desafiar diretamente o domínio do dólar americano, o bloco optou por uma estratégia mais gradual, focada na construção de infraestruturas para pagamentos em moedas locais e sistemas transfronteiriços alternativos. Esta abordagem, detalhada na Declaração de Nova Deli, representa um desafio persistente à hegemonia do dólar, com implicações a longo prazo para o comércio global e o sistema financeiro internacional.

O foco principal da cúpula foi aprofundar a cooperação económica e financeira entre os estados membros. A Declaração de Nova Deli enfatizou a necessidade de expandir a liquidação de comércio em moedas locais e desenvolver sistemas de pagamento transfronteiriços alternativos. Esta não é uma tentativa de derrubar o dólar da noite para o dia, mas sim de criar um ecossistema financeiro paralelo que ofereça mais opções e reduza a vulnerabilidade a choques externos e sanções unilaterais.

O Impulso da Desdolarização e a Cúpula de Nova Deli

A ideia de reduzir a dependência do dólar americano não é nova para os BRICS, mas a cúpula desta semana em Nova Deli deu-lhe um novo ímpeto e uma direção mais concreta. Em vez de perseguir a complexa e, para muitos, irrealista meta de uma moeda única BRICS, o bloco está a investir em soluções práticas. Os ministros das finanças e governadores dos bancos centrais dos BRICS, que se reuniram antes da cúpula, expressaram objeções às tarifas unilaterais dos EUA, considerando-as inconsistentes com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Esta crítica sublinha a motivação geopolítica por trás da busca por maior autonomia financeira.

A estratégia agora é clara: facilitar o comércio entre os países BRICS nas suas próprias moedas. Isso significa que, por exemplo, um exportador indiano pode ser pago em rublos por bens vendidos à Rússia, ou um importador brasileiro pode pagar em yuan por produtos chineses, sem a necessidade de converter para dólares americanos. Esta medida visa reduzir os custos de transação, mitigar os riscos cambiais e fortalecer a resiliência económica interna do bloco. A Declaração de Nova Deli é um testemunho deste compromisso, delineando um roteiro para uma maior integração financeira e económica.

BRICS Pay: Uma Alternativa ao SWIFT

Um dos desenvolvimentos mais tangíveis desta estratégia é o BRICS Pay, um sistema de pagamento digital descentralizado em desenvolvimento. O objetivo do BRICS Pay é conectar os sistemas de pagamento nacionais dos países membros, permitindo transações transfronteiriças diretas em moedas locais. Este sistema é visto como uma alternativa direta à rede SWIFT, que tem sido criticada por ser excessivamente centralizada e suscetível a pressões políticas.

Ao contornar o SWIFT e o dólar, o BRICS Pay promete oferecer maior eficiência e menor custo para o comércio intra-bloco. Analistas como Matteo Giovannini, da Changjiang Securities, notaram que esta iniciativa representa uma mudança pragmática na estratégia de desdolarização, focando na construção de infraestruturas em vez de uma única moeda de substituição. Para empresas que operam com parceiros BRICS, isso pode significar uma simplificação significativa das operações financeiras e uma redução da exposição à volatilidade do dólar.

O BRICS Pay pode ser particularmente atraente para pequenas e médias empresas que muitas vezes enfrentam barreiras significativas e custos elevados ao realizar transações internacionais através dos sistemas existentes. Ao oferecer uma rota mais direta e potencialmente mais barata, o sistema pode impulsionar o comércio intra-BRICS e fortalecer as cadeias de abastecimento regionais. Embora ainda em desenvolvimento, a sua eventual implementação poderá remodelar a forma como o comércio é conduzido entre estas economias em crescimento.

Implicações para o Comércio Global e Investidores

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Para empresas e investidores envolvidos no comércio com as nações BRICS, esta mudança tem implicações práticas consideráveis. A expansão do comércio em moedas locais pode levar a uma redução dos custos de conversão cambial e a uma maior previsibilidade nas transações. No entanto, também pode introduzir uma maior complexidade na gestão de múltiplas moedas e na compreensão das dinâmicas cambiais de cada país. A necessidade de gerir diferentes moedas e sistemas de pagamento pode exigir novas estratégias de tesouraria e gestão de risco.

Investidores que procuram exposição a mercados emergentes podem precisar de reavaliar as suas estratégias cambiais. A crescente utilização de moedas locais pode, a longo prazo, levar a uma maior liquidez e profundidade nesses mercados, mas também pode introduzir novos riscos regulatórios e de conversibilidade. A New Development Bank (NDB), o banco de desenvolvimento dos BRICS, já desempenha um papel crucial no financiamento de projetos de infraestrutura nos países membros, e a sua atuação pode ser ainda mais integrada com os novos sistemas de pagamento.

Para quem opera no mercado de câmbio, como as corretoras de Forex e CFD, estas tendências podem gerar novas oportunidades e desafios. A diversificação das moedas de reserva e de comércio pode levar a uma maior volatilidade em alguns pares, enquanto outros podem ganhar estabilidade. Plataformas como a eToro oferecem acesso a uma vasta gama de pares de moedas, permitindo aos investidores adaptar as suas estratégias a estas mudanças no cenário global. Acompanhar as políticas dos bancos centrais dos BRICS será crucial, pois as suas decisões sobre taxas de juro e controlo de capitais terão um impacto direto na atratividade das suas moedas.

O Dólar Americano: Desafios e Resiliência

É fundamental contextualizar estes esforços de desdolarização. Apesar do impulso dos BRICS, a maioria dos economistas e banqueiros centrais considera improvável uma substituição imediata do dólar americano como moeda de reserva global. O dólar ainda representa aproximadamente 58% das reservas cambiais globais e é utilizado na maioria das transações transfronteiriças. A sua profundidade de mercado, o estado de direito subjacente e os mercados de capitais livremente convertíveis conferem-lhe uma resiliência inigualável.

Sudhakar Dalela, um analista da Atlantic Council, observou que a estratégia dos BRICS é melhor compreendida como uma diversificação gradual, em vez de um evento de substituição único. O dólar continua a ser o porto seguro em tempos de incerteza global, e a sua liquidez e aceitação universal são difíceis de replicar. No entanto, a erosão gradual da sua quota em transações comerciais e reservas, impulsionada por iniciativas como o BRICS Pay, pode ter um impacto cumulativo a longo prazo.

Os dados de 16 de setembro de 2026 mostram a estabilidade relativa das principais moedas, com o dólar a registar movimentos modestos face aos seus pares. Por exemplo, o GBP/USD negociou a 1.3456, com uma ligeira queda de 0.2003% em relação ao dia anterior, enquanto o USD/CAD subiu 0.1365% para 1.3939. Estes movimentos diários, embora importantes para os traders, não refletem as tendências estruturais de longo prazo que os esforços dos BRICS procuram influenciar.

| Par de Moedas | Preço (16/09/2026) | Variação Diária (%) | | - - - - | - - - - - | - - - - - -| | EUR/USD | 1.1537 | -0.0173 | | GBP/USD | 1.3456 | -0.2003 | | USD/JPY | 155.05 | 0.0323 | | USD/CAD | 1.3939 | 0.1365 | | AUD/USD | 0.71322 | 0.094 |

Fonte: frankfurter_mid, frankfurter_daily

Tensões Geopolíticas e Tarifas Unilaterais

A crítica dos ministros das finanças dos BRICS às tarifas unilaterais dos EUA, expressa em 10 de setembro de 2026, adiciona uma camada de tensão geopolítica a esta narrativa. Estas tarifas são vistas como um obstáculo ao comércio livre e um fator que impulsiona a busca por alternativas. A insatisfação com as políticas comerciais de Washington é um catalisador para a cooperação intra-BRICS e para a aceleração dos planos de desdolarização.

Esta postura reflete uma preocupação mais ampla com a utilização do sistema financeiro global como ferramenta de política externa. Ao desenvolver sistemas como o BRICS Pay, o bloco procura criar uma infraestrutura que seja menos vulnerável a tais pressões, permitindo que os seus membros conduzam o comércio e as finanças de forma mais independente. Esta fragmentação potencial do sistema financeiro global pode ter consequências duradouras, alterando as dinâmicas de poder económico e a forma como as nações interagem comercialmente.

O Futuro do Sistema Monetário Internacional

O caminho à frente para o sistema monetário internacional parece ser de crescente multipolaridade. Embora o dólar americano mantenha a sua posição dominante no curto e médio prazo, os esforços dos BRICS, juntamente com outras tendências globais, sugerem uma diversificação gradual. A ascensão de moedas como o yuan chinês, o rublo russo e a rupia indiana no comércio regional é um sinal desta mudança.

Para os viajantes, as empresas de importação/exportação e os investidores, esta evolução significa que a paisagem cambial se tornará mais complexa e diversificada. A capacidade de transacionar em moedas locais pode oferecer vantagens, mas também exige uma maior compreensão das economias e políticas monetárias dos países BRICS. A longo prazo, poderemos assistir a um sistema onde várias moedas desempenham papéis regionais importantes, em vez de uma única moeda global.

Perguntas Frequentes

A Cúpula BRICS lançou uma moeda comum para substituir o dólar?

Não, a 18ª Cúpula BRICS, realizada em Nova Deli de 12 a 13 de setembro de 2026, não lançou uma moeda comum. Em vez disso, o bloco focou-se em expandir o comércio em moedas locais e desenvolver sistemas de pagamento alternativos, como o BRICS Pay, para reduzir a dependência do dólar americano.

O que é o BRICS Pay e como funciona?

O BRICS Pay é um sistema de pagamento digital descentralizado em desenvolvimento, projetado para conectar os sistemas de pagamento nacionais dos países membros. Ele permitirá transações transfronteiriças diretas em moedas locais, visando contornar a rede SWIFT e reduzir a dependência do dólar americano, facilitando o comércio intra-bloco.

Como a estratégia de desdolarização dos BRICS afeta o dólar americano?

A estratégia dos BRICS é vista como uma diversificação gradual, não uma substituição imediata do dólar. Embora o dólar mantenha a sua posição dominante como moeda de reserva global, os esforços dos BRICS podem levar a uma erosão gradual da sua quota em transações comerciais e reservas a longo prazo, contribuindo para um sistema monetário internacional mais multipolar.

Quais são as implicações para empresas e investidores?

Empresas e investidores que operam com as nações BRICS podem beneficiar de custos de transação mais baixos e maior previsibilidade ao utilizar moedas locais. No entanto, também precisarão de gerir a complexidade de múltiplas moedas e estar cientes dos riscos regulatórios e cambiais. Acompanhar as políticas dos bancos centrais dos BRICS e as tendências de liquidez será crucial.

O Que Observar a Seguir

O próximo ponto a observar será o progresso concreto no desenvolvimento e implementação do BRICS Pay. Qualquer anúncio sobre testes-piloto, parcerias com bancos ou a integração de novos países membros no sistema de pagamentos alternativo fornecerá pistas importantes sobre a velocidade e a escala da desdolarização. Além disso, as declarações dos bancos centrais dos BRICS sobre a utilização de moedas locais nas suas reservas e transações comerciais continuarão a ser um indicador chave da direção futura.

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